quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Opinião #1: "O Discurso do Rei" (Filme)

- O DISCURSO DO REI -

Trailer:



Ficha Técnica:
Drama, 118 min
Realização - Tom Hooper
Argumento - David Seidler
Interpretação - Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter

Sinopse:
Após a morte de seu pai, o Rei George V, e da escandalosa abdicação do Rei Eduardo VIII, Bertie, que toda a sua vida sofreu de um debilitante problema de fala, é coroado Rei George VI de Inglaterra. Com o país à beira de uma guerra e a necessitar desesperadamente de um líder, a sua mulher, Elizabeth, futura Rainha-mãe, encaminha o marido para um excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue. Depois de um começo difícil, os dois homens iniciam uma terapia pouco ortodoxa e acabam por formar um vínculo inquebrável. Com a ajuda da sua família, do seu governo e de Winston Churchill, o Rei vai superar a gaguez e tornar-se numa inspiração para o povo.

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Opinião:

Já queria ver este filme há bastante tempo, e não passou desta semana. Era minha opinião que este seria o grande vencedor na noite dos Óscares e, em parte, essa opinião não mudou.

O filme conta-nos a história do Duque de York, filho mais novo do Rei. Toda a sua vida se viu deparado com o problema de gaguez, mas era feliz com a sua mulher e as suas filhas. No entanto, devido à sua posição dentro da família real (e à falta de interesse do irmão mais velho, herdeiro do trono, pela vida política), procura ajuda médica para o seu problema, e apenas a encontra com Lionel Logue, e os seus métodos pouco convencionais.

Sem qualquer tipo de pretensões ao trono, Bertie (alcunha de família que é também adoptada, sem pudor, por Lionel) vê a sua vida mudar de um dia para o outro, quando depois da morte do pai, o seu irmão mais velho é levado a abdicar do trono. Bertie vê-se assim, quase que contra a sua própria vontade, no lugar que nunca cobiçou nem ao pai, nem ao irmão, e depara-se com a iminência de uma guerra com a Alemanha. Na altura em que o seu povo mais precisa de uma figura forte que os guie, ele próprio anda ainda à procura do seu caminho.

O filme está bastante bem feito. Tem um ritmo bom, não caindo na monotonia, o que acontece com alguns dramas, chegando até a ter alguns momentos mais leves de comédia (quase todos pelas mãos de Lionel, interpretado bastante bem por Geoffrey Rush). Dessas cenas, a que me ficou mais gravada na memória passa-se logo no princípio do filme, quando Bertie e Lionel estão na sua primeira consulta, e o Duque, pouco confiante, lhe diz que procurou ajuda perto dos melhores médicos de Inglaterra, sem resultados. Quando Lionel lhe diz directamente que eles seriam, então, incompetentes, dá-se a seguinte troca:

Bertie: - They've all been knighted!
Lionel: - Makes it official, then.

Pode não parecer nada de mais, mas foi a primeira de várias cenas em que não consegui evitar rir-me.

Por várias vezes o Duque desiste de continuar os tratamentos com Lionel (que passavam por dançar, cantar, rebolar pelo chão ou até recorrer a profanidades), mas vê-se sempre de volta ao seu gabinete. O nascimento gradual da forte amizade que os une, e uniu durante o resto das suas vidas, é um dos pontos positivos a apontar às interpretações brilhantes de ambos os actores.

E claro, não se pode deixar de referir Helena Bonham Carter, no papel de esposa de Bertie, a (futura) Rainha Elizabeth. Tal como o marido, não tinha qualquer desejo de realeza. A sua vida era dedicada ao marido e às filhas, e é por isso que não desiste de tentar ajudar Bertie a resolver o seu problema, e está sempre a seu lado, apoiando-o em todos os passos importantes da sua vida. Interpretação também bastante boa da actriz, que nos habituou a papéis mais fora do comum (como o de Rainha Vermelha em "Alice no País das Maravilhas", ou Bellatrix Lestrange nos filmes de Harry Potter. E quem se esquece de Ms. Lovett em "Sweeney Todd"?), aqui a mostrar alguma da sua variedade.

No geral, é um filme que nos mostra que com força de vontade, conseguimos ultrapassar todas as adversidades com que nos deparamos na nossa vida, e que de um homem simples se pode fazer um Rei respeitado por todos.

Não encontro pontos negativos a apontar ao filme, a não ser algo que me ficou na cabeça, de uma cena bastante simples e que até, no fundo, compreendo (é o ponto fulcral do filme, não podia ser despachado, e sendo baseado na realidade, não havia muita volta a dar). Como é que, tendo o Rei um problema de fala, lhe passam para a mão um discurso de três páginas?

Agora, palpites para os Óscares: Espero que Colin Firth ganhe o de Melhor Actor, porque certamente o merece. Faz um papel brilhante, e não é qualquer um que conseguiria fingir uma gaguez daquelas. Claro que o papel não se resume a isso, mas este caso apenas me faz pensar no facto de Philip Seymour Hoffman também o ter ganho por Capote. Penso que aqui não terei muitas surpresas. Para Melhor Actriz Secundária penso que, de entre as nomeadas, também é Bonham Carter que se destaca mais (embora não tenha visto as actuações de todas as nomeadas).

No que diz respeito a Actor Secundário é que já não tenho tantas certezas. Embora Geoffrey Rush faça um belo papel, é um pouco "ofuscado" por Colin Firth, quando por exemplo no caso de Christian Bale no filme "The Fighter", seja este a roubar quase que por completo o protagonismo.

Quanto às restantes nomeações, penso que vai ser bastante dividido, pois há bastantes bons filmes nomeados este ano.

Veremos o que acontece!

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