quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Opinião #2: "The Fighter - Último Round" (Filme)

- THE FIGHTER - ÚLTIMO ROUND -

Trailer:



Ficha Técnica:
Biografia, 115 min
Realização - David O'Russell
Argumento - Scott Silver
Interpretação - Mark Wahlberg, Amy Adams, Christian Bale, Melissa Leo

Sinopse:
Dicky Ecklund é uma antiga lenda do pugilismo que desperdiçou os seus talentos e deitou fora a sua oportunidade de grandeza. Micky Ward, o seu meio-irmão, é um pugilista batalhador que viveu toda a vida na sombra do irmão. The Fighter é a história verídica e inspiradora destes dois irmãos que, contra todas as expectativas, se aproximam para treinar para um histórico combate pelo título que irá unir a sua família desfeita, redimir os seus passados e dar finalmente à sua cidade aquilo por que esta tanto espera: orgulho.

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Opinião:

Tal como já tinha referido noutro post, estava indecisa entre ir ver este filme ou o "Indomável" esta semana, e acabei mesmo por me decidir por este. E não fiquei desiludida!

Este filme trata-se, muito para além da história de um pugilista, de um autêntico retrato do amor entre irmãos. Para além das lutas físicas, são os confrontos familiares e até os pessoais que fazem desta história (real) um autêntico relato de perserverança, vitória, e sobretudo, amor.

Dicky Ecklund é, tal como gosta de ser chamado e de chamar a si próprio, "o orgulho de Lowell", a pequena localidade onde sempre viveu com a sua família. Na sua juventude, foi um grande pugilista, tendo até conseguido vencer Sugar Ray Leonard, no seu mais famoso combate. Depois de deixar de combater, tornou-se treinador a tempo inteiro do meio-irmão Micky Ward, que sempre o admirou.

No entanto, a sua vida não foi repleta de vitórias. O seu vício em crack levou-o a ver-se envolvido em todo o tipo de situações, que acabavam com inúmeras visitas à prisão e a constantes desilusões perto do irmão mais novo e do resto da sua família.

Entretanto, Micky Ward está a preparar o seu grande regresso ao mundo do pugilismo. Depois de algumas derrotas, que o desmotivaram cada vez mais de continuar a lutar, vê uma oportunidade de voltar a brilhar no ringue. No entanto, essa oportunidade não lhe surge livre de sacrifícios: Micky vê-se obrigado a escolher entre o apoio incondicional da família (e mais ocasional de Dicky) pela sua carreira, ou a seguir uma nova via, livre de problemas: nova namorada, novo treinador, novo manager.

Será que consegue conciliar estas duas vertentes, afastar-se da sombra do irmão e sair vitorioso na luta da sua vida?

O filme, enquanto biografia, está bem feito. É no entanto difícil de discernir, por vezes, sobre que vida se trata: a de Dicky Ecklund ou Micky Ward. Os dois irmãos eram tão próximos que por um lado é natural que não se consiga referir um sem falar do outro, mas se tivesse de escolher, diria que quem se destaca é realmente Dicky.

E a isto muito se deve a interpretação de Christian Bale, que rouba claramente o protagonismo a Mark Wahlberg (Micky). O actor está irreconhecível neste filme, tendo perdido bastante peso, e quem acompanha o seu trabalho dificilmente dirá que, por exemplo, o último Batman e Dicky Ecklund são interpretados pela mesma pessoa. Ele adoptou todo um conjunto de maneirismos inerentes à sua personagem, a um ponto em que ambos se confundem. Tal como o próprio já referiu várias vezes em entrevistas, Bale deixa-se "absorver" pelas suas personagens quando está a gravar algum filme, algo com que nem todos os actores conseguem lidar (toda a gente ainda se lembrará, certamente, do súbito desaparecimento de Heath Ledger).

Torna-se evidente, então, que é da minha opinião que deveria ser ele a ganhar o Óscar de Melhor Actor Secundário na cerimónia deste ano.

Quanto aos restantes actores, todos estiveram à altura do desafio de representar pessoas "de carne e osso" (que vários admitem que é bastante mais difícil do que com personagens fictícias), e também mereciam alguma distinção. Mas é um facto que é uma luta de gigantes, e este ano é difícil de apontar uma má representação de entre os nomeados.

Do filme em si, tenho a apontar a cinematografia bastante bem conseguida. Tendo em conta a época em que se passa a história, houve todo um cuidado com os pormenores, como por exemplo o tipo de imagem que era visto nas transmissões televisivas da altura. Quando são passados excertos dos programas que as personagens estão a assistir (sejam eles as lutas de Micky ou o documentário feito sobre Dicky), parece mesmo que tudo aquilo foi retirado de um arquivo dos anos 90.

Por outro lado, para quem está à espera de um filme repleto de cenas de acção e de luta, poderá não ficar completamente satisfeito. A esse nível, comparo-o ao filme "The Wrestler", em que o destaque é maioritariamente sobre quem luta, e não propriamente as lutas em si.

Recomendo!

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