segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Opinião #3: "The Forbidden Game" (Livros)

- THE FORBIDDEN GAME -

Capa:

Autora:
L. J. Smith

Informação:
Edição/reimpressão - 2010
Páginas - 768
Editor - SIMON & SCHUSTER LTD
ISBN - 9781847387387
Colecção - Piano
Idioma - Inglês

Sinopse:
When Jenny buys a game for her boyfriend, Tom, she finds herself inexplicably drawn to the guy who sells it to her. There is something mysteriously alluring about Julian's pale eyes and bleached-blond hair. And when he places the Game into her hands, she knows her connection is something much deeper.
But as Jenny and her friends begin to play the game, an evening of friendship and fun quickly turns into a night of terror and obsessive love. Because the Game isn't just a game - it's their new reality, where Julian reigns as the Prince of the Shadows.
One by one Jenny and her friends must confront their deepest fears to try and win the game. Because to lose the Game is to lose their lives. And that is only the beginning...

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Opinião:

Desde já peço desculpa a quem não se dá bem com o inglês, mas dado que esta trilogia não tem edição em português, a sinopse teria de ser a original. Decidi não a traduzir, pois de qualquer maneira irei fazer um resumo de toda a história.

Comprei este livro já há alguns meses, pois enquanto andava a "passear" pela secção de literatura inglesa do site da Wook, este de alguma maneira chamou-me à atenção. Pela sinopse, parecia-me ser uma história interessante, de alguma forma pesada e que me faria pensar.

O que eu gostaria que tudo isso fosse verdade...

Mas comecemos por um breve resumo.

O primeiro livro da trilogia (esta edição junta os três livros num, mas não deixa de ser uma trilogia), de seu nome "The Hunter", começa com Jenny, a personagem principal, à procura de um jogo que ela e os seus amigos possam jogar na festa de aniversário do seu namorado, Tom. Toda a sua (curta) vida esteve com ele, não se imagina com outra pessoa, e tem até todo o seu futuro planeado ao seu lado.

Mas basta entrar numa aparente loja de jogos para toda a sua vida sofrer uma drástica reviravolta.

Por alguma razão, Julian, o rapaz que se apresenta como dono/vendedor da loja, deslumbra Jenny. Ela sente algo na presença dele, que não consegue explicar. Acaba por sair da loja com o jogo que lhe parecia perfeito para passar uma boa noite com os amigos, pensando que nunca mais veria Julian.

Nessa noite, Jenny e os amigos preparam-se para começar aquele curioso jogo. Dentro da caixa, estava uma casa de papel, que todos ajudam a montar. É dado a cada um deles um cartão, onde deveriam desenhar o seu maior pesadelo, e distribuí-los depois aleatoriamente pelas divisões da casa. O objectivo seria passar por todas as divisões, enfrentar os pesadelos de todos, e chegarem ao topo da casa para vencer. Como "peões", usam bonecos de papel, que cada um deveria "pintar" com as suas características físicas. Para lhes dificultar o jogo, há também duas figuras de "monstros": uma cobra e um lobo.

Até aqui tudo lhes parece bem, até que as instruções do jogo pedem que cada um deles preste um juramento, onde teriam de reconhecer que o jogo era verdadeiro, e que todos estariam a jogar de sua livre vontade. A partir do momento em que começam a jogar, apercebem-se de que afinal aquele jogo tem mais do que aparentava inicialmente, e vêem-se transportados para um mundo paralelo, o Mundo das Sombras. Dão por si numa casa em tudo idêntica à de papel que montaram em casa de Jenny, mas ali tudo é real. Como responsável por esta situação surge Julian, que se apresenta na sua verdadeira identidade de Shadow Man (Homem Sombra), e informa-os da real veracidade daquele jogo: teriam até ao nascer do sol para chegar ao topo da casa, e se assim fosse voltariam ao seu mundo. Se ficassem dentro da casa até depois desse momento, ou não conseguissem enfrentar os seus pesadelos, morreriam.

Tudo isto devido ao facto de Julian se ter apaixonado por Jenny quando ela era apenas uma criança, e a ter observado (e protegido) toda a sua vida.

E sim, por incrível que pareça, a autora conseguiu mesmo arrastar esta premissa durante três livros ("The Hunter", "The Chase" e "The Kill"). E o facto de que ela está a ponderar dar ainda mais continuidade à história, pelo suposto "interesse dos fãs", faz-me pensar que não é possível que haja um maior desperdício de árvores.

A história base não é má de todo, admito. Toda a ideia de um mundo paralelo, onde as Runas são um instrumento de poder, repleto de Sombras que reclamam as almas e corpos de humanos para seu bel-prazer, é algo que poderia ser explorado de uma forma mais negra, ou até romantizada. O facto é que L. J. Smith falhou redondamente nas duas abordagens, o que só por si deve pedir um esforço enorme.

As cenas em que as personagens enfrentam, por exemplo, os seus pesadelos, poderiam ser muito mais sinistras e transmitir algum receio ao leitor, mas dei por mim a não conseguir conter o riso em algumas. Como é que é possível que o maior pesadelo da vida de uma pessoa seja, por exemplo, um quarto desarrumado?

Do lado romântico, também há algo que não encaixa. Jenny é, no início da história, uma namorada completamente submissa, que faz todo o tipo de coisas "porque o Tom gosta", e sente-se bem nesse papel. Surge depois Julian, e parece que Jenny nunca viu outro "homem" bonito na vida dela. Desde que ele aparece e até ao fim da trilogia, ela descreve-o ao pormenor de cada vez que ele dá o ar de sua graça na história. De todas essas vezes, ela diz que não consegue descrever o azul dos seus olhos, mas é certo que tenta. E bastante. Se quisesse fazer uma média, diria que em cada um dos livros, deve haver o equivalente a um capítulo com descrições de Julian, e mais um extra só com os seus olhos.

Fora do seu aspecto físico, há toda a sua estrutura psicológica que não faz qualquer sentido. Sim, ele não é humano, é um ser de outro mundo, mas se ele afirma que ama Jenny, é porque é capaz de sentir emoções, e em todos os aspectos aparenta ser idêntico a um humano. Um ser humano com uns laivos de psicopata, mas basicamente, um ser humano.

Qual é o sentido de Julian raptar todo o grupo de amigos de Jenny, fazendo-os enfrentar a morte por mais do que uma vez, se ele supostamente a ama? E sim, essas situações de quase-morte são também algo por que a própria Jenny tem de passar, talvez ainda mais fortemente do que os restantes.

Portanto, resumindo, Julian amou Jenny toda a sua vida, protegeu-a de todo o mal, mas chegou uma altura em que se fartou (ou aborreceu) e lá decidiu quase fazê-la morrer umas quantas vezes. Talvez seja assim que os Sombras declaram o seu amor...

E o mais impressionante é o facto de Jenny dar por si completamente atraída (para não dizer mesmo apaixonada) por Julian. De cada vez que se encontram, ela sente uma necessidade tremenda de o beijar. Isto enquanto ela ainda está dentro do jogo, ou seja, quando ainda é provável que ela morra por causa dele. Jogo esse, para o qual ele a raptou. E no qual também está o namorado dela, ao qual foi fiel toda a vida, mas nem considera traição estar a beijar a pessoa que os pode matar a todos. Ou ela estava a passar por uma fase bastante estranha da puberdade, ou tem aquele complexo de atracção e perdão pelo seu raptor elevado à décima casa.

Não faz sentido, pois não?

E para além de a abordagem à história não ser a melhor, a forma como está escrita também não ajuda nada. Dei por mim completamente abstraída das cenas, até um ponto em que, por exemplo, chego a uma cena em que todos os personagens estão dentro de uma gruta que começa a ruir, e o meu primeiro pensamento é "Mas espera lá, eles estavam dentro de uma gruta??". Não é uma escrita que prenda o leitor, de todo.

Não me irei estender mais pelos defeitos que encontrei nestes livros, pois acho que se o fizesse acabaria por escrever eu mesma um livro inteiro, do tamanho de uma enciclopédia.

Resumidamente: boa ideia, péssima concretização.

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