sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Opinião #49: "O Terceiro Passo" (Livro)

- O TERCEIRO PASSO -

Capa:
Autor:
Christopher Priest

Informação:
Edição/reimpressão - 2006
Páginas - 320
Editor - Saída de Emergência
ISBN - 9789728839802
Idioma - Português

Sinopse:

O Terceiro Passo ("The Prestige") é uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Actuando nos luxuosos salões vitorianos, dois mágicos entram num feudo amargo e cruel, cujos efeitos podem ser sentidos pelas respectivas famílias mais de um século depois.

Os dois homens assombram a vida um do outro, levados ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. O segredo da magia é simples, mas para os antagonistas o verdadeiro mistério é outro. Pois ambos tema mais a esconder do que apenas os truques da sua ilusão.

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Opinião:

Devo dizer que foi com algum receio que comecei a ler este livro, embora o quisesse ler há anos. Adoro absolutamente o filme baseado nele, tanto por ter um dos meus realizadores favoritos (Christopher Nolan) como os meus dois actores favoritos (Hugh Jackman e Christian Bale). Normalmente nestes casos de adaptações o livro é sempre melhor do que o filme, mas como o facto de ter tantas das minhas preferências nele poderia tornar a minha opinião tudo menos isenta, fiquei com receio de que a leitura do livro "estragasse" um pouco a imagem que tenho da história.

No entanto nada disso aconteceu, por uma razão muito simples: o filme é uma adaptação mesmo muito livre, e embora muitas das cenas estejam em ambos os elementos, a história em si é contada de maneira diferente. Isso tornou a minha leitura bastante confusa, pois durante todo o livro eu me lembrava do que tinha acontecido no filme, e ficava à espera disso mesmo, e muitas vezes não acontecia. Mas a minha avaliação geral é bastante positiva!

A história é contada tendo por base dois diários. Um descendente de Borden, jornalista de profissão, vai à procura de uma resposta para todas as dúvidas que tem em relação às suas origens, dado ter sido adoptado, e essas respostas parecem estar ligadas ao diário de Alfred Borden, um mágico muito bem sucedido. Nesse seu caminho em busca de informação encontra-se com a descendente de Robert Angier, também ele mágico e grande rival de Borden, e a partir daí ele descobre que as respostas para o seu presente estão dezenas de anos no passado.

É curioso ver como algumas cenas de ambos os diários se sobrepõem, e acabamos por obter respostas a certas dúvidas apenas com a mudança do ponto de vista sobre a mesma cena. E dada a opinião que eles tinham um do outro, aquilo que escrevem de certos episódios muda bastante de acordo com quem saiu favorecido ou vencedor, e essas duas vozes foram muito bem conseguidas pelo autor. Em ambos os casos, lemos os diários que os dois mágicos escreveram desde os seus dias de infância, mas em parte alguma essa leitura se torna maçadora. Ambos tiveram vidas bastante interessantes que me faziam simplesmente virar página atrás de página!

Fora essa pequena confusão que o visionamento do filme (já por dezenas de vezes, devo dizer) me causou, e da qual me tentei abstrair o máximo possível ao reparar que não eram de todo idênticos entre si, foi um livro que gostei bastante de ler. Não a aproveitei tanto quanto poderia, pois já sabia de ante-mão o segredo que é escondido durante toda a história (mas para o qual são dadas pistas muito subtis escondidas na forma de escrita ao longo do livro), mas mesmo assim prendeu-me o suficiente para o ter lido relativamente depressa.

Se já viram o filme, ou se a história vos desperta curiosidade, leiam o livro, que vale a pena!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Opinião #48: "O Nascimento de Vénus" (Livro)

- O NASCIMENTO DE VÉNUS -

Capa:
Autora:
Sarah Dunant

Informação:
Edição/reimpressão - 2008
Páginas - 350
Editor - Edições Chá das Cinco
ISBN - 9789898032263
Idioma - Português

Sinopse:
Desnudo o corpo da irmã Lucrezia, as freiras observam a estranha tatuagem em forma de serpente que percorre o seu ventre. Lucrezia um dia fora conhecida por Alessandra. Jovem e inteligente, ela vivera o esplendor e luxo dos Médicis em pleno Renascimento. Como fora ela parar àquele convento? O que significaria aquela tatuagem no seu corpo? De que morrera, afinal? O Nascimento de Vénus é um envolvente romance de mistério e paixão no século XV, a retratar em detalhe e minúcia a arte, a riqueza e a podridão de Florença.

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Opinião:

Já tinha ouvido falar muito bem da escrita desta autora, e desde que este livro saiu que a sinopse me tinha chamado a atenção, e foi na Feira do Livro de Lisboa deste ano (com a pequena ajuda da secção de livros descatalogados da Saída de Emergência) que finalmente o comprei e trouxe para casa. Como sempre, com vários meses de atraso, finalmente comecei a lê-lo, já com alguma expectativa acumulada de várias opiniões positivas.

E devo dizer que, de certa forma, ela atingiu todas essas expectativas, mas de formas de que eu não estava à espera. Gostei imenso da escrita dela, mais do que pensava que gostaria, mas a história surpreendeu-me. Pensava que ia ler algo mais pelas vias do "mistério", tentar descobrir o que tinha acontecido à personagem principal, a irmã Lucrezia/Alessandra, mas acabou por ser mais uma biografia detalhada da sua vida, que de tão interessante que foi acabou, na minha opinião, por deixar um pouco para segundo plano a curiosidade de resolver a premissa que nos surge no início do livro, com a sua morte. Digo então que me surpreendeu pois normalmente em livros históricos gosto mais desse aspecto de mistério nas histórias, e não tanto de um romance "simples", e neste acabei por gostar mais assim.

Achei este livro um belo retrato da época, e como é uma altura na história da qual eu leio muito pouco, é sempre interessante aprender um pouco mais. Neste caso dá-se um destaque maior à importância da Arte numa cidade como Florença, o poder que os patronos dessa mesma arte podem ter na cidade, e o que a morte de apenas um homem pode fazer à vida de uma população inteira.

Algumas partes da história foram, para mim, previsíveis (assim que surge uma das personagens consegue-se prever imediatamente o seu propósito final, entre outros aspectos), mas nada que prejudicasse a leitura, já que ao mesmo tempo fui-me deparando com algumas surpresas.

Ao acabar o livro senti-me um pouco ignorante, pois fiquei sem a certeza absoluta de ter percebido a relação do título com a história, e mesmo depois de ter chegado a uma conclusão, fiquei na dúvida. Eu normalmente gosto sempre que ambas as coisas tenham uma ligação bem pensada, mas talvez esta tenha sido bem pensada demais para mim!

Vou certamente ler mais livros da autora, recomendo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Opinião #47: "Belladonna" (Livro)

- BELLADONNA -

Capa:
Autora:
Anne Bishop

Informação:
Edição/reimpressão - 2009
Páginas - 384
Editor - Saída de Emergência
ISBN - 9789896370961
Idioma - Português

Sinopse:
Há muito tempo, Efémera foi dividida em inúmeras paisagens mágicas ligadas somente por pontes. Pontes que podem levar quem as atravessa para onde realmente pertence e não ao local onde pretende chegar.
Uma a uma, as paisagens de Efémera estão a cair na sombra. O Devorador do Mundo está a espalhar a sua influência, manchando as almas das pessoas com dúvida e medo, alimentando-se das suas emoções mais negras. A cada vitória o Devorador aproxima-se da conquista final.
Apenas Glorianna Belladonna possui a habilidade de frustrar os planos do Devorador. Mas os seus poderes foram mal interpretados e incompreendidos. Determinada a proteger as terras sob o seu domínio, Glorianna defrontará o Devorador sozinha se assim estiver no seu destino.

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Opinião:

Quando acabei de ler o "Sebastian", o livro anterior a este, achei que tinha acabado de uma forma suficientemente boa para não necessitar de uma continuação (embora raramente alguém se queixe de ter Anne Bishop para ler), por isso acabei por adiar de certa forma a leitura deste, devido à minha falta de curiosidade. Mas passados alguns capítulos já estava envolvida na história novamente!

Aquilo de que mais gostei neste livro foi o facto de podermos conhecer outras partes de Efémera, o mundo formado por paisagens ligadas entre si através de pontes. No primeiro livro apenas "vimos" a parte do mundo sob o controlo das paisagistas, sobretudo Belladonna e a sua mãe, mas neste segundo grande parte da história passa-se em locais onde os habitantes desconhecem a natureza inconstante do seu mundo, e onde as paisagistas são tratadas como bruxas e feiticeiras, por não serem compreendidas as suas habilidades. Foi interessante ver retratado num livro com uma componente de fantasia tão forte assuntos tão reais como o preconceito.

Algo que também notei neste livro em relação ao outro, é que tem uma componente de romance mais forte. Nota-se um criar de várias relações (e supomos a futura criação de outras), que aqui já acabam por deixar pontas soltas para continuação da história. O final do livro também deixou bastante por dizer, se o primeiro tivesse acabado assim tinha ido a correr comprar o seguinte! Estou bastante curiosa para ler o terceiro livro nesta série, que já foi anunciado e que, desta vez, aguardo ansiosamente.

Podem reparar que esta opinião está bastante mais curta do que o normal, e posso explicá-lo: em primeiro lugar, não sei como comentar mais o livro sem explicar longamente a história (e por isso prefiro que fique uma opinião curta do que monstruosa); em segundo, qualquer tempo que passem a ler a minha opinião, é tempo em que poderiam (e deveriam) estar a ler qualquer livro da Anne Bishop!

Para quem gosta de um bom livro de fantasia, original, com uma escrita brilhante e um worldbuilding que não lhe fica nada atrás, este é um de vários livros da autora que não pode faltar nas estantes.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Opinião #46: "Planeta dos Macacos: A Origem" (Filme)

- PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM -

Trailer:


Ficha Técnica:
Ficção Científica, 105 min
Realização - Rupert Wyatt
Argumento - Pierre Boulle
Interpretação - Andy Serkis, Brian Cox, Freida Pinto, James Franco, Tom Felton

Sinopse:
Um simples acto de compaixão e de simultânea arrogância leva-nos a uma guerra como até hoje não assistimos – a ascensão do planeta dos macacos. O macaco "sapiens" é um macaco humanizado nas capacidades intelectuais e emocionais, cuja interação com o ser humano parece ser entre iguais. Tal acontecimento transforma-se numa nova revolução, e como em qualquer transformação do surgir do inesperado, novas mentalidades crescem acompanhando novos perigos, desta vez protagonizados pela ascensão do fenómeno símio...


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Opinião:

Torna-se curioso comentar este filme logo após o "Super 8", pois vai-me fazer passar por "mentirosa". Disse nessa minha opinião que ficção científica não é, no geral, o meu género de filme, e isso continua a ser verdade. Mas são filmes como este que se incluem nessa pequena fatia que refuta a regra.

Posso dizer que uma das piores coisas de trabalhar num cinema é ver os filmes a estrear, as pessoas a irem ver, e depois ouvirmos os comentários de que filme x ou y é excelente e tudo o mais, e não podermos ir ver. Ainda para mais um filme que eu já sabia que ia adorar, mas aproveitei a minha primeira folga desde a sua estreia para o ir ver, e superou as minhas já altas expectativas!

Este "Planeta dos Macacos: A Origem" é um género de uma prequela do conhecido filme "Planeta dos Macacos", realizado pelo grande Tim Burton. É um pouco complicado explicar toda a cronologia desta série, pois antes destes há vários filmes antigos com esta história, que eu como não vi não posso comentar. Mas sei que cada realizador que lhe pega altera um pouco a história, mas sempre mantendo a premissa original. Ou seja, embora em termos de cronologia este se passe antes do filme do Tim Burton, ambos podem não encaixar mais tarde, pois o Rupert Wyatt vai fazer mais filmes neste mundo (pelo menos está planeado), e vai então ter a sua visão própria da história.

Já que esta sinopse é péssima, não contando nada da história, vou fazer um pequeno resumo. Will Rodman é um cientista que tem um grande objectivo para a sua vida: criar uma cura para a doença de Alzheimer, de forma a poder curar o seu pai, cada vez mais perdido dentro dela. Essa cura, em desenvolvimento durante largos anos, começa a ser testada em chimpanzés. Aos primeiros sinais de avanços, Will tenta convencer a empresa a investir na sua cura, mas tudo corre mal e Will vê-se a braços com um chimpanzé bebé. Este, sendo filho de uma fêmea a quem tinha sido dada a cura, nasce com o vírus que dela deriva, e assim Will descobre um efeito secundário do projecto que ocupou toda a sua carreira: e que vai alterar o mundo como o conhece.

Como já disse, este filme está excelente, e podem-se enumerar diversas razões para esse facto. O argumento é excelente, os actores muito bons (embora a química entre Franco e Pinto seja algo estranha, para não dizer inexistente), e os efeitos especiais são brilhantes.

Por mais do que uma vez ouvi comentários, antes de o filme estrear, de que não ia ser bom pois os macacos seriam todos feitos por CGI, em vez de se usarem macacos reais, ou até pessoas "disfarçadas". Devo dizer que os efeitos estão tão bem feitos, que logo desde o início qualquer pessoa se esquece que o que está a ver não é um macaco "verdadeiro". Os actores que fizeram o papel dos macacos foram excelentes no seu trabalho (sim, não os fizeram aparecer do ar), pois captaram lindamente todos os maneirismos e hábitos sociais dos primatas. Para quem não sabe, Caesar (o macaco acolhido por Will) é representado pelo actor Andy Serkis, que fez de Gollum nos filmes do Senhor dos Anéis, por isso já era de esperar algo brilhante vindo dele.

E não posso deixar de referir Tom Felton. Eu já sabia que ia surgir algures no filme alguma cena em que eu lhe associasse logo a sua já conhecida fala "Wait until my father hears about this!" (quem conhece o mundo Harry Potter sabe do que estou a falar), e ela apareceu mesmo, e devo dizer que me ri bastante na sala. E não posso negar que também me lembrei de HP quando ele diz "Take your stinking paws off me you damn dirty ape!". Soa-vos familiar? Mas sim, adorei vê-lo num registo diferente!

Recomendo bastante, se não forem vê-lo pelo aspecto de ficção científica, vão pela grande mensagem que passa, entre vários outros temas, em relação aos direitos dos animais.

domingo, 14 de agosto de 2011

Opinião #45: "Super 8" (Filme)

- SUPER 8 -

Trailer:


Ficha Técnica:
Ficção Científica, 112min
Realização - J.J. Abrams
Argumento - J.J. Abrams
Interpretação - Amanda Michalka, Elle Fanning, Kyle Chandler, Ron Eldard

Sinopse:
No Verão de 1979, um grupo de amigos na pequena localidade do Ohio, testemunham um catastrófico desastre de comboio enquanto filmavam um filme em super 8 e depressa se apercebem que afinal não foi um acidente. Pouco depois, invulgares desaparecimentos e situações inexplicáveis começam a ocorrer e as entidades locais tentam descobrir a verdade - algo mais aterrorizador do que alguma vez se tinha pensado.

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Opinião:

Em primeiro lugar devo dizer que fui ver este filme contrariada, pois já quando tinha visto o trailer ele não me chamou à atenção minimamente. Por regra não costumo gostar de filmes de ficção científica, e o tema deste não me interessava muito, mas acabei por ir vê-lo com o meu pai, que andava há semanas a dizer-me que tínhamos de o ir ver. Acabei por até gostar, mas continuo com a ideia de que não era preciso ter ido vê-lo ao cinema.

Eu não sou propriamente fã do Spielberg pelos filmes onde ele por alguma razão mete lá o nome, mas uma pessoa não sabe bem o que raio ele lá fez, por isso nem essa premissa (que basicamente é o que tem levado muitas pessoas ao cinema ver este filme) me atraía. Há muitos bons realizadores/produtores/etc por aí que passam despercebidos, e depois há estes casos onde uma pessoa fez nome com uns quantos bons filmes, e a partir daí quase que pode fazer só lixo, que ninguém quer saber (não estou a dizer que seja o caso do Spielberg, mas acho um pouco exagerado o hype todo).

Mas pronto, voltando ao filme. Resumidamente, a premissa da história não vai muito longe daquilo que está na sinopse. Um grupo de amigos está a gravar um filme de zombies numa estação de comboios, e testemunham o descarrilamento suspeito de um comboio de carga. A partir daí dá-se uma sucessão de acontecimentos invulgares, que parecem estar todos ligados à carga misteriosa que o comboio transportava.

Já me tinham dito que este filme fazia lembrar o "E.T.", e realmente é verdade. Parece uma versão um pouco alterada da mesma história, mas sem tanto interesse, pois praticamente desde o início do filme qualquer pessoa deduz o que ia dentro do comboio, e o facto de passarem mais de metade do mesmo a fazer planos obscurecidos da "coisa" e só a mostrarem praticamente no final foi deveras irritante. Já toda a gente sabia o que era, mais valia mostrarem-no logo e darem trabalho à equipa de efeitos especiais!

Para mim, o que vale a pena neste filme são os miúdos. Fui para lá um pouco na dúvida quanto ao que esperar da performance de um grupo de actores jovens que maioritariamente não é conhecido (com a excepção da Elle Fanning, que na minha opinião fez um papel mesmo muito bom), mas portaram-se todos lindamente. Há momentos cómicos muito bons e basicamente são eles que aguentam o filme. Se não fosse pelos miúdos, muito provavelmente tinha adormecido a meio do filme...

Gostei bastante do pormenor que acrescentaram no final do filme. Os miúdos passam tanto tempo durante a história a fazer as gravações para o filme de zombies, que assim que começaram os créditos, o meu primeiro comentário foi "Então e o filme dos miúdos?". Mas assim que falei começou a passar o filme completo feito por eles, e foi excelente poder vê-lo.

No geral, até achei piada ao filme, mas como não faz mesmo o meu género o meu comentário final foi algo perto de um simples "...eh". Mas tenho noção de que muita gente tem gostado bastante, por isso se estiverem curiosos em relação a ele, não se deixem influenciar pela minha opinião nada imparcial e vão vê-lo!

Mas esta gente anda a viver debaixo de algum calhau?

Hoje estava eu muito bem no meu trabalho, quando a meio da tarde se aproximou um casal da bilheteira do cinema que me perguntou, com uma cara muito séria, se ainda tínhamos bilhetes para o Avatar.

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Eu lá tentei explicar aos senhores, fazendo um grande esforço para não me rir (o que foi pedir muito da minha força de vontade), que o Avatar tinha saído no cinema há bem mais de um ano e meio. Mas eles insistiram, duvidando da nossa palavra, e ainda perguntaram "Mas não estará ainda em exibição em algum cinema?". E eu estive quase para responder que estava em exibição num cinema chamado Fnac, onde até podiam levar o filme para casa e ver as vezes que quisessem, era a última novidade no mundo do cinema!

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Ao fim de uns minutos lá os conseguimos convencer, e foram-se embora. Fiquei seriamente a pensar que tinha acabado de falar com dois viajantes no tempo, porque recuso-me a acreditar que existam duas pessoas no mundo que não tenham ouvido falar do Avatar quando saiu!

sábado, 13 de agosto de 2011

Opinião #44: "Perfect Formation" (Livro)

- PERFECT FORMATION -

Capa:
Autora:
K.B. Alan

Informação:
Edição/Reimpressão - 2010
Páginas - 206
Editor - Ellora's Cave Publishing
ISBN - 9781419961878
Idioma - Inglês

Sinopse:
Friends for much longer than they've been lovers, Taryn and Richard enjoy each other's company while looking for "Mr. Right". When the darkly handsome Caleb walks into their lives, the sexual attraction is instant and mutual-for all three. Caleb wines and dines them then shows them how good it can be if they trust him to lead the way. One night is all it takes to prove that the three of them are a perfect match, at least in the bedroom.

Taryn has to decide if explosive sex and the feelings quickly overtaking her are worth the risk of losing it all-again. Richard sees Caleb and Taryn as the perfect couple but isn't so sure there will always be room for him in their ménage a trois. Sexual dominant Caleb has to suppress his urge to tie them to the bed until they understand that they both belong with him-forever. But if they don't come around soon, he'll be pulling those ropes out after all.

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Opinião:

Considerei durante algum tempo se deveria escrever a minha opinião sobre este livro ou não, pois não é propriamente dentro do género da minha leitura habitual. Mas já que também não tenho muito a dizer sobre ele, aqui fica, para pelo menos ficar com um registo continuado daquilo que tenho lido.

A primeira coisa que eu pensei assim que comecei a leitura foi: "Isto parece-me tanto uma fan-fiction mal desenvolvida". E era impossível não fazer essa comparação, pois surge logo nas primeiras páginas algo que é difícil de ignorar: as personagens principais conhecem-se, e quase sem razão aparente já estão praticamente a consumar algo que mais parece uma relação de longa data. Se eu disser que passados cinco minutos de se conhecerem já estavam a discutir vários aspectos das vidas sexuais uns dos outros, acreditam em mim?

É óbvio pelo tipo de livro que é que não vamos propriamente ter direito a um longo processo de romance e conquista, mas pelo menos um par de páginas para as personagens se conhecerem já não era mau. Já vi isto acontecer mais vezes do que aquelas que posso contar ao ler fan-fictions, e é algo que não me agrada ler num livro publicado, pois qualquer que seja o tema, quem escreve fics sempre se pode esconder atrás do facto de que não é um escritor profissional.

Enfim, passando à frente. A premissa do livro é bastante básica. Taryn e Richard são amigos, que ainda não encontraram as suas caras metades. Numa dada altura da sua amizade, decidiram que enquanto não as encontrassem, ou até derivado de puro aborrecimento, iriam levar a sua amizade para um nível mais físico. Tudo isso tem resultado ao longo dos anos mas falta-lhes alguma coisa, até que quase caído dos céus surge Caleb, o homem que parece ser a peça que falta neste puzzle.

Fora o aspecto inicial que já referi, até gostei da relação que surge entre estes três personagens. Não tenho nada a apontar à escrita da autora nas cenas de "manifestação física" dessa mesma relação (por mais do que uma vez estive quase para abrir uma janela, pois podia jurar que a temperatura de minha casa tinha aumentado), mas nota-se um certo esforço para desenvolver a relação emocional entre os três. Notei que existiam alguns aspectos que poderiam ser mais desenvolvidos, mas foram colocados de parte, ou abordados muito por alto.

Outro defeito que tenho a apontar foi o facto de a autora ter tentado (e sublinho a palavra "tentado") incluir um aspecto policial ao livro, mas falhado redondamente. A meio da história há alguém que invade a casa de um dos personagens e comete vários actos de vandalismo, e é dada uma importância tal à descoberta da identidade dessa pessoa e da resolução desta situação, quando no final nada acrescentou à história (não que me surpreendesse, mas mesmo assim esperei algo melhor).

Concluindo, este livro não foi propriamente uma desilusão, pois eu já para começar não tinha qualquer tipo de expectativas em relação a ele, tendo plena noção de que é um ramo da literatura do qual não se pode pedir muito. É uma leitura leve (lê-se praticamente numa tarde), e é bom para intercalar entre livros mais densos. Nem que seja por isso, e pela "novidade" de ler uma história em que três pessoas tentam assumir perante a sociedade uma relação séria, valeu a pena.


*Recebi este livro gratuitamente através do Goodreads First Reads, o que de nenhuma forma influenciou a minha opinião acerca do mesmo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mais dois para a minha colecção!


Para quem não sabe, eu gosto imenso de posters de filmes (tenho imensos, um dia destes tiro algumas fotos). O do "Capitão América" é o poster em papel, e o do "X-Men" é um banner enorme (que se note que está a tapar a minha cama toda, e ainda fica uma parte de fora).

Eu era uma rapariga feliz se tivesse paredes em casa que chegassem para pendurar todas as coisinhas deste género que cá tenho...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu nem sou muito destas coisas mas...

Eu sou daquelas pessoas que sinceramente não liga muito ao telemóvel que tem. Desde que funcione, e que tenha as funções básicas (e que seja esteticamente aceitável), já fico contente. Mas já estava farta das dores de cabeça que o meu telemóvel me estava a dar, por isso decidi que ia começar a ver de preços, para talvez, num futuro próximo, comprar outro.

Hoje fui ao Colombo, e acabei por vir de lá com um telemóvel novo, que nem sequer conhecia de lado nenhum, o que não é de todo comum em mim (nas poucas vezes em que compro telemóveis novos, assim de uns quantos em quantos anos, pesquiso bem sobre os modelos que me agradam antes de os comprar). Mas gostei bastante da primeira impressão que tive do telemóvel, o preço até era acessível, tendo em conta que escolhendo um mais simples ia acabar por gastar o mesmo (embora muito provavelmente não devesse estar a ter este tipo de despesas quando ainda não encontrei trabalho fixo), e por isso pronto, cá está ele!

Agora a ver se me habituo a ele (o meu anterior tinha teclado qwerty e era de "abrir", nada a ver com este), e se vou pôr o outro a arranjar, que eu sou teimosa e ainda o quero ver a trabalhar como deve ser. Até porque lhe vou arranjar uso de certeza, nem que seja para pôr um cartão de outra rede! E pronto, aqui fica o meu "desabafo" do último corte à minha conta bancária.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Opinião #43: "Capitão América" (Filme)

- CAPITÃO AMÉRICA -

Trailer:



Ficha Técnica:
Acção/Aventura, 125 min
Realização - Joe Johnston
Argumento - Christopher Markus, Stephen McFeely
Interpretação - Chris Evans, Hayley Atwell, Hugo Weaving, Richard Armitage, Stanley Tucci, Tommy Lee Jones

Sinopse:
Os primórdios do Universo Marvel, quando Steve Rogers se apresenta como voluntário para participar num programa experimental que o irá tornar no Super Soldado conhecido como Capitão América. Agora, Rogers irá unir esforços com Bucky Barnes e Peggy Carter para entrar em guerra contra a organização maléfica Hydra, liderada pelo vilão Caveira Vermelha.

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Opinião:

Como já por mais do que uma vez aqui expressei no blog, eu adoro ver tudo o que sejam filmes da Marvel, e por isso não podia deixar de ir ver esta "primeira" aparição do Capitão América. E o veredicto foi: adorei, iria facilmente ver outra vez! Mas se comparar com o "X-Men: O Início", se calhar gostei mais deste último, também pelo facto de não ser tão fã da personagem do Capitão América como sou das personagens que fazem parte dos X-Men.

Mesmo por não conhecer tão bem a história da personagem, talvez este tenha sido o filme da Marvel em que estive mais "solta" no que respeita a fazer comparações filme/bd's. Não me recordo mesmo de ler nada do Capitão América (apenas dos Avengers), por isso bem que podem ter mudado imenso a história para o filme, que já comentaram comigo que foram mesmo feitas algumas alterações, mas eu não dei por nada, e pude aproveitar bastante mais o filme.

Mas do pouco que conhecia, fiquei contente de ver algumas coisas incluídas! Por exemplo, o facto de aparecer o senhor que vai ser o pai do Homem de Ferro (quem viu os filmes depressa faz a associação, tanto pelo apelido do homem como por cenas em que se pode visivelmente comentar mesmo "tal pai, tal filho!"), e por terem incluído uma pequena curiosidade. Na capa do número 1 da banda-desenhada do Capitão América, ele aparece a dar um murro ao Hitler, e no filme conseguiram incluir, de uma forma bastante engraçada, esse pormenor!

Quanto ao filme em si, gostei bastante por estar cheio de acção (sou tão maria-rapaz nestas coisas) e por ter um ritmo bastante bom, quase nem se dá conta do tamanho do filme. Tem apenas menos cinco minutos que o último filme do Harry Potter, mas pareceu-me muito mais pequeno!

Também não é segredo para ninguém que gosto de tudo o que envolva a II Guerra Mundial, o que foi o caso deste filme. Mas não pude deixar de me lembrar, por várias vezes ao longo do filme, que por volta daquela mesma altura, e se calhar nem muito longe dali, andavam também o Magneto, o Professor X e a sua "trupe" a dar uns sopapos aos nazis! Pelos vistos o Hitler era tão mau, que tudo o que é seres com poderes sobrenaturais andava atrás dele...

Já vi vários comentários contra a contratação do Chris Evans para o papel de Capitão América, dizendo que podiam ter encontrado um melhor actor. A essas pessoas eu digo: se andaram atrás dele durante imenso tempo, a ouvir recusa atrás de recusa, até que pela terceira vez ele lá aceitou, é porque algum valor ele tem, se não tinham mesmo passado à frente e procurado outro! Sim, é verdade que ele não é daqueles actores brilhantes como o Christian Bale (para enumerar um colega de adaptações de BD's), mas chega e bem para o papel que lhe deram.

Resumindo, recomendo a quem é fã deste género de filmes, e para quem o vai ver ao cinema, deixo uma recomendação: não saiam da sala quando começarem os créditos, pois mesmo no final há mais uma cena, e depois um teaser trailer do GRANDE filme que vai ser o dos Avengers!

domingo, 7 de agosto de 2011

Opinião #42: "A Rapariga Que Roubava Livros" (Livro)

- A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS -

Capa:
Autor:
Markus Zusak

Informação:
Edição/reimpressão - 2008
Páginas - 463
Editor - Editorial Presença
ISBN - 9789722339070
Colecção - Grandes Narrativas
Idioma - Português

Sinopse:
Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte é a narradora omnipresente e omnisciente e através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, assim como de outros moradores da Rua Himmel, e também a história da existência ainda mais precária de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

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Opinião:

Já há muito tempo que este livro me era recomendado por várias pessoas, e abordando este tema eu já sabia que ia adorar lê-lo, mas só há pouco tempo se deu a oportunidade de finalmente iniciar a sua leitura. E é, de facto, um livro brilhante, que recomendo vivamente.

Vou tentar ser curta na minha opinião, pois acho que este não é um livro onde se pode ir muito pela opinião dos outros: cada pessoa vai absorver a sua mensagem de maneira diferente. Mas se esta obra é alguma coisa, é de certeza um relato impressionante e original do poder que as palavras têm na nossa sociedade.

A originalidade começa logo pela escolha do narrador: em vez de termos conhecimento da história de vida da pequena Liesel pela própria, ou por alguém que lhe é próximo, temos a Morte como narradora omnisciente de toda a história. Achei esta escolha curiosa, mas depois ao longo da leitura fui-me apercebendo de que não podia ser mais acertada: não houve quem conhecesse mais de perto todo o desenrolar de acontecimentos da altura da Segunda Guerra Mundial e do poderio de Hitler do que a própria Morte que, segundo a própria, não tinha mãos a medir com tanto trabalho e tantas almas para transportar. Mas mesmo assim houve algo na pequena Liesel que lhe chamou a atenção, o que fez com que se cruzasse com ela mais do que uma vez, sempre curiosa em relação à Rapariga Que Roubava Livros (como a trata), mas nunca para a levar nos braços.

Uma das primeiras coisas que me suscitou curiosidade foi o facto de querer saber como é que a morte ficou a conhecer a história de Liesel, dado que não a acompanhou toda a sua vida, tendo-a apenas visto um par de vezes. Esse é um aspecto que apenas é revelado quase no final da história, e penso que não podia ser mais apropriado.

A escrita do autor é brilhante, pois conseguiu dar uma voz bastante realista (ou pelo menos, aquela que penso que seja a mais apropriada) à Morte. Ela encara todos os problemas dos "mortais" com uma indiferença tremenda, e olha para o mundo como uma palete de cores, embora se depare muitas vezes apenas com o cinzento ou o negro. Ao longo de toda a história há pequenos "à partes" que a Morte acrescenta à narração de Liesel, que nos ajudam a perceber aquele determinado momento, ou algo que irá acontecer no futuro às personagens envolvidas. Foi uma opção de escrita que lhe dá bastante valor, e um pormenor que não é comum ver-se em Literatura.

Quanto ao ritmo de leitura, tenho de confessar que a parte inicial me pareceu um pouco maçadora, até chegar ao ponto na história em que surge Max, o pugilista judeu que se esconde na cave da casa de Liesel durante anos. Sempre gostei bastante de ler sobre este tema em específico, e a história de Max é um óptimo relato de uma história que se deve ter repetido em milhares de caves e sótãos e anexos de casas por toda a Alemanha: infelizmente, nem sempre com um final feliz. A partir daí a leitura fluiu muito melhor, e mesmo depois de começar a absorver melhor toda a mensagem inerente a esta história.

Pois, afinal, como seria este mundo sem o poder das palavras?

Acabo esta opinião com uma das minhas citações preferidas do livro, pois acho que aborda de uma maneira simples (tal como é o olhar de uma criança) esta mensagem:

(contexto: Liesel acaba de rasgar um livro)
"Em breve havia apenas farrapos de palavras espalhadas entre as suas pernas e a toda a sua volta. As palavras. Por que haviam elas de existir? Sem elas não haveria nada disto. Sem palavras o Fuhrer não era nada. Não haveria prisioneiros a coxear, nem necessidade de consolo ou truques mundanos, para nos fazer sentir melhor. Para que prestavam as palavras?"
pp. 438-439

segunda-feira, 1 de agosto de 2011