domingo, 7 de agosto de 2011

Opinião #42: "A Rapariga Que Roubava Livros" (Livro)

- A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS -

Capa:
Autor:
Markus Zusak

Informação:
Edição/reimpressão - 2008
Páginas - 463
Editor - Editorial Presença
ISBN - 9789722339070
Colecção - Grandes Narrativas
Idioma - Português

Sinopse:
Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte é a narradora omnipresente e omnisciente e através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, assim como de outros moradores da Rua Himmel, e também a história da existência ainda mais precária de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

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Opinião:

Já há muito tempo que este livro me era recomendado por várias pessoas, e abordando este tema eu já sabia que ia adorar lê-lo, mas só há pouco tempo se deu a oportunidade de finalmente iniciar a sua leitura. E é, de facto, um livro brilhante, que recomendo vivamente.

Vou tentar ser curta na minha opinião, pois acho que este não é um livro onde se pode ir muito pela opinião dos outros: cada pessoa vai absorver a sua mensagem de maneira diferente. Mas se esta obra é alguma coisa, é de certeza um relato impressionante e original do poder que as palavras têm na nossa sociedade.

A originalidade começa logo pela escolha do narrador: em vez de termos conhecimento da história de vida da pequena Liesel pela própria, ou por alguém que lhe é próximo, temos a Morte como narradora omnisciente de toda a história. Achei esta escolha curiosa, mas depois ao longo da leitura fui-me apercebendo de que não podia ser mais acertada: não houve quem conhecesse mais de perto todo o desenrolar de acontecimentos da altura da Segunda Guerra Mundial e do poderio de Hitler do que a própria Morte que, segundo a própria, não tinha mãos a medir com tanto trabalho e tantas almas para transportar. Mas mesmo assim houve algo na pequena Liesel que lhe chamou a atenção, o que fez com que se cruzasse com ela mais do que uma vez, sempre curiosa em relação à Rapariga Que Roubava Livros (como a trata), mas nunca para a levar nos braços.

Uma das primeiras coisas que me suscitou curiosidade foi o facto de querer saber como é que a morte ficou a conhecer a história de Liesel, dado que não a acompanhou toda a sua vida, tendo-a apenas visto um par de vezes. Esse é um aspecto que apenas é revelado quase no final da história, e penso que não podia ser mais apropriado.

A escrita do autor é brilhante, pois conseguiu dar uma voz bastante realista (ou pelo menos, aquela que penso que seja a mais apropriada) à Morte. Ela encara todos os problemas dos "mortais" com uma indiferença tremenda, e olha para o mundo como uma palete de cores, embora se depare muitas vezes apenas com o cinzento ou o negro. Ao longo de toda a história há pequenos "à partes" que a Morte acrescenta à narração de Liesel, que nos ajudam a perceber aquele determinado momento, ou algo que irá acontecer no futuro às personagens envolvidas. Foi uma opção de escrita que lhe dá bastante valor, e um pormenor que não é comum ver-se em Literatura.

Quanto ao ritmo de leitura, tenho de confessar que a parte inicial me pareceu um pouco maçadora, até chegar ao ponto na história em que surge Max, o pugilista judeu que se esconde na cave da casa de Liesel durante anos. Sempre gostei bastante de ler sobre este tema em específico, e a história de Max é um óptimo relato de uma história que se deve ter repetido em milhares de caves e sótãos e anexos de casas por toda a Alemanha: infelizmente, nem sempre com um final feliz. A partir daí a leitura fluiu muito melhor, e mesmo depois de começar a absorver melhor toda a mensagem inerente a esta história.

Pois, afinal, como seria este mundo sem o poder das palavras?

Acabo esta opinião com uma das minhas citações preferidas do livro, pois acho que aborda de uma maneira simples (tal como é o olhar de uma criança) esta mensagem:

(contexto: Liesel acaba de rasgar um livro)
"Em breve havia apenas farrapos de palavras espalhadas entre as suas pernas e a toda a sua volta. As palavras. Por que haviam elas de existir? Sem elas não haveria nada disto. Sem palavras o Fuhrer não era nada. Não haveria prisioneiros a coxear, nem necessidade de consolo ou truques mundanos, para nos fazer sentir melhor. Para que prestavam as palavras?"
pp. 438-439

3 comentários:

  1. posso por no blog do PC com o devido link daqui??

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  2. Adorei este livro, tendo sido dos melhores livros que li este ano. Gostei bastante da estória, da nossa narradora incrível e das personagens. Foi um livro que me arrebatou e que promete ser relido momentos mais tarde. :)

    Beijinhos e boas leituras. :)

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