segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Opinião #43: "Capitão América" (Filme)

- CAPITÃO AMÉRICA -

Trailer:



Ficha Técnica:
Acção/Aventura, 125 min
Realização - Joe Johnston
Argumento - Christopher Markus, Stephen McFeely
Interpretação - Chris Evans, Hayley Atwell, Hugo Weaving, Richard Armitage, Stanley Tucci, Tommy Lee Jones

Sinopse:
Os primórdios do Universo Marvel, quando Steve Rogers se apresenta como voluntário para participar num programa experimental que o irá tornar no Super Soldado conhecido como Capitão América. Agora, Rogers irá unir esforços com Bucky Barnes e Peggy Carter para entrar em guerra contra a organização maléfica Hydra, liderada pelo vilão Caveira Vermelha.

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Opinião:

Como já por mais do que uma vez aqui expressei no blog, eu adoro ver tudo o que sejam filmes da Marvel, e por isso não podia deixar de ir ver esta "primeira" aparição do Capitão América. E o veredicto foi: adorei, iria facilmente ver outra vez! Mas se comparar com o "X-Men: O Início", se calhar gostei mais deste último, também pelo facto de não ser tão fã da personagem do Capitão América como sou das personagens que fazem parte dos X-Men.

Mesmo por não conhecer tão bem a história da personagem, talvez este tenha sido o filme da Marvel em que estive mais "solta" no que respeita a fazer comparações filme/bd's. Não me recordo mesmo de ler nada do Capitão América (apenas dos Avengers), por isso bem que podem ter mudado imenso a história para o filme, que já comentaram comigo que foram mesmo feitas algumas alterações, mas eu não dei por nada, e pude aproveitar bastante mais o filme.

Mas do pouco que conhecia, fiquei contente de ver algumas coisas incluídas! Por exemplo, o facto de aparecer o senhor que vai ser o pai do Homem de Ferro (quem viu os filmes depressa faz a associação, tanto pelo apelido do homem como por cenas em que se pode visivelmente comentar mesmo "tal pai, tal filho!"), e por terem incluído uma pequena curiosidade. Na capa do número 1 da banda-desenhada do Capitão América, ele aparece a dar um murro ao Hitler, e no filme conseguiram incluir, de uma forma bastante engraçada, esse pormenor!

Quanto ao filme em si, gostei bastante por estar cheio de acção (sou tão maria-rapaz nestas coisas) e por ter um ritmo bastante bom, quase nem se dá conta do tamanho do filme. Tem apenas menos cinco minutos que o último filme do Harry Potter, mas pareceu-me muito mais pequeno!

Também não é segredo para ninguém que gosto de tudo o que envolva a II Guerra Mundial, o que foi o caso deste filme. Mas não pude deixar de me lembrar, por várias vezes ao longo do filme, que por volta daquela mesma altura, e se calhar nem muito longe dali, andavam também o Magneto, o Professor X e a sua "trupe" a dar uns sopapos aos nazis! Pelos vistos o Hitler era tão mau, que tudo o que é seres com poderes sobrenaturais andava atrás dele...

Já vi vários comentários contra a contratação do Chris Evans para o papel de Capitão América, dizendo que podiam ter encontrado um melhor actor. A essas pessoas eu digo: se andaram atrás dele durante imenso tempo, a ouvir recusa atrás de recusa, até que pela terceira vez ele lá aceitou, é porque algum valor ele tem, se não tinham mesmo passado à frente e procurado outro! Sim, é verdade que ele não é daqueles actores brilhantes como o Christian Bale (para enumerar um colega de adaptações de BD's), mas chega e bem para o papel que lhe deram.

Resumindo, recomendo a quem é fã deste género de filmes, e para quem o vai ver ao cinema, deixo uma recomendação: não saiam da sala quando começarem os créditos, pois mesmo no final há mais uma cena, e depois um teaser trailer do GRANDE filme que vai ser o dos Avengers!

domingo, 7 de agosto de 2011

Opinião #42: "A Rapariga Que Roubava Livros" (Livro)

- A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS -

Capa:
Autor:
Markus Zusak

Informação:
Edição/reimpressão - 2008
Páginas - 463
Editor - Editorial Presença
ISBN - 9789722339070
Colecção - Grandes Narrativas
Idioma - Português

Sinopse:
Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte é a narradora omnipresente e omnisciente e através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, assim como de outros moradores da Rua Himmel, e também a história da existência ainda mais precária de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

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Opinião:

Já há muito tempo que este livro me era recomendado por várias pessoas, e abordando este tema eu já sabia que ia adorar lê-lo, mas só há pouco tempo se deu a oportunidade de finalmente iniciar a sua leitura. E é, de facto, um livro brilhante, que recomendo vivamente.

Vou tentar ser curta na minha opinião, pois acho que este não é um livro onde se pode ir muito pela opinião dos outros: cada pessoa vai absorver a sua mensagem de maneira diferente. Mas se esta obra é alguma coisa, é de certeza um relato impressionante e original do poder que as palavras têm na nossa sociedade.

A originalidade começa logo pela escolha do narrador: em vez de termos conhecimento da história de vida da pequena Liesel pela própria, ou por alguém que lhe é próximo, temos a Morte como narradora omnisciente de toda a história. Achei esta escolha curiosa, mas depois ao longo da leitura fui-me apercebendo de que não podia ser mais acertada: não houve quem conhecesse mais de perto todo o desenrolar de acontecimentos da altura da Segunda Guerra Mundial e do poderio de Hitler do que a própria Morte que, segundo a própria, não tinha mãos a medir com tanto trabalho e tantas almas para transportar. Mas mesmo assim houve algo na pequena Liesel que lhe chamou a atenção, o que fez com que se cruzasse com ela mais do que uma vez, sempre curiosa em relação à Rapariga Que Roubava Livros (como a trata), mas nunca para a levar nos braços.

Uma das primeiras coisas que me suscitou curiosidade foi o facto de querer saber como é que a morte ficou a conhecer a história de Liesel, dado que não a acompanhou toda a sua vida, tendo-a apenas visto um par de vezes. Esse é um aspecto que apenas é revelado quase no final da história, e penso que não podia ser mais apropriado.

A escrita do autor é brilhante, pois conseguiu dar uma voz bastante realista (ou pelo menos, aquela que penso que seja a mais apropriada) à Morte. Ela encara todos os problemas dos "mortais" com uma indiferença tremenda, e olha para o mundo como uma palete de cores, embora se depare muitas vezes apenas com o cinzento ou o negro. Ao longo de toda a história há pequenos "à partes" que a Morte acrescenta à narração de Liesel, que nos ajudam a perceber aquele determinado momento, ou algo que irá acontecer no futuro às personagens envolvidas. Foi uma opção de escrita que lhe dá bastante valor, e um pormenor que não é comum ver-se em Literatura.

Quanto ao ritmo de leitura, tenho de confessar que a parte inicial me pareceu um pouco maçadora, até chegar ao ponto na história em que surge Max, o pugilista judeu que se esconde na cave da casa de Liesel durante anos. Sempre gostei bastante de ler sobre este tema em específico, e a história de Max é um óptimo relato de uma história que se deve ter repetido em milhares de caves e sótãos e anexos de casas por toda a Alemanha: infelizmente, nem sempre com um final feliz. A partir daí a leitura fluiu muito melhor, e mesmo depois de começar a absorver melhor toda a mensagem inerente a esta história.

Pois, afinal, como seria este mundo sem o poder das palavras?

Acabo esta opinião com uma das minhas citações preferidas do livro, pois acho que aborda de uma maneira simples (tal como é o olhar de uma criança) esta mensagem:

(contexto: Liesel acaba de rasgar um livro)
"Em breve havia apenas farrapos de palavras espalhadas entre as suas pernas e a toda a sua volta. As palavras. Por que haviam elas de existir? Sem elas não haveria nada disto. Sem palavras o Fuhrer não era nada. Não haveria prisioneiros a coxear, nem necessidade de consolo ou truques mundanos, para nos fazer sentir melhor. Para que prestavam as palavras?"
pp. 438-439

segunda-feira, 1 de agosto de 2011