sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Opinião #49: "O Terceiro Passo" (Livro)

- O TERCEIRO PASSO -

Capa:
Autor:
Christopher Priest

Informação:
Edição/reimpressão - 2006
Páginas - 320
Editor - Saída de Emergência
ISBN - 9789728839802
Idioma - Português

Sinopse:

O Terceiro Passo ("The Prestige") é uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Actuando nos luxuosos salões vitorianos, dois mágicos entram num feudo amargo e cruel, cujos efeitos podem ser sentidos pelas respectivas famílias mais de um século depois.

Os dois homens assombram a vida um do outro, levados ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. O segredo da magia é simples, mas para os antagonistas o verdadeiro mistério é outro. Pois ambos tema mais a esconder do que apenas os truques da sua ilusão.

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Opinião:

Devo dizer que foi com algum receio que comecei a ler este livro, embora o quisesse ler há anos. Adoro absolutamente o filme baseado nele, tanto por ter um dos meus realizadores favoritos (Christopher Nolan) como os meus dois actores favoritos (Hugh Jackman e Christian Bale). Normalmente nestes casos de adaptações o livro é sempre melhor do que o filme, mas como o facto de ter tantas das minhas preferências nele poderia tornar a minha opinião tudo menos isenta, fiquei com receio de que a leitura do livro "estragasse" um pouco a imagem que tenho da história.

No entanto nada disso aconteceu, por uma razão muito simples: o filme é uma adaptação mesmo muito livre, e embora muitas das cenas estejam em ambos os elementos, a história em si é contada de maneira diferente. Isso tornou a minha leitura bastante confusa, pois durante todo o livro eu me lembrava do que tinha acontecido no filme, e ficava à espera disso mesmo, e muitas vezes não acontecia. Mas a minha avaliação geral é bastante positiva!

A história é contada tendo por base dois diários. Um descendente de Borden, jornalista de profissão, vai à procura de uma resposta para todas as dúvidas que tem em relação às suas origens, dado ter sido adoptado, e essas respostas parecem estar ligadas ao diário de Alfred Borden, um mágico muito bem sucedido. Nesse seu caminho em busca de informação encontra-se com a descendente de Robert Angier, também ele mágico e grande rival de Borden, e a partir daí ele descobre que as respostas para o seu presente estão dezenas de anos no passado.

É curioso ver como algumas cenas de ambos os diários se sobrepõem, e acabamos por obter respostas a certas dúvidas apenas com a mudança do ponto de vista sobre a mesma cena. E dada a opinião que eles tinham um do outro, aquilo que escrevem de certos episódios muda bastante de acordo com quem saiu favorecido ou vencedor, e essas duas vozes foram muito bem conseguidas pelo autor. Em ambos os casos, lemos os diários que os dois mágicos escreveram desde os seus dias de infância, mas em parte alguma essa leitura se torna maçadora. Ambos tiveram vidas bastante interessantes que me faziam simplesmente virar página atrás de página!

Fora essa pequena confusão que o visionamento do filme (já por dezenas de vezes, devo dizer) me causou, e da qual me tentei abstrair o máximo possível ao reparar que não eram de todo idênticos entre si, foi um livro que gostei bastante de ler. Não a aproveitei tanto quanto poderia, pois já sabia de ante-mão o segredo que é escondido durante toda a história (mas para o qual são dadas pistas muito subtis escondidas na forma de escrita ao longo do livro), mas mesmo assim prendeu-me o suficiente para o ter lido relativamente depressa.

Se já viram o filme, ou se a história vos desperta curiosidade, leiam o livro, que vale a pena!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Opinião #48: "O Nascimento de Vénus" (Livro)

- O NASCIMENTO DE VÉNUS -

Capa:
Autora:
Sarah Dunant

Informação:
Edição/reimpressão - 2008
Páginas - 350
Editor - Edições Chá das Cinco
ISBN - 9789898032263
Idioma - Português

Sinopse:
Desnudo o corpo da irmã Lucrezia, as freiras observam a estranha tatuagem em forma de serpente que percorre o seu ventre. Lucrezia um dia fora conhecida por Alessandra. Jovem e inteligente, ela vivera o esplendor e luxo dos Médicis em pleno Renascimento. Como fora ela parar àquele convento? O que significaria aquela tatuagem no seu corpo? De que morrera, afinal? O Nascimento de Vénus é um envolvente romance de mistério e paixão no século XV, a retratar em detalhe e minúcia a arte, a riqueza e a podridão de Florença.

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Opinião:

Já tinha ouvido falar muito bem da escrita desta autora, e desde que este livro saiu que a sinopse me tinha chamado a atenção, e foi na Feira do Livro de Lisboa deste ano (com a pequena ajuda da secção de livros descatalogados da Saída de Emergência) que finalmente o comprei e trouxe para casa. Como sempre, com vários meses de atraso, finalmente comecei a lê-lo, já com alguma expectativa acumulada de várias opiniões positivas.

E devo dizer que, de certa forma, ela atingiu todas essas expectativas, mas de formas de que eu não estava à espera. Gostei imenso da escrita dela, mais do que pensava que gostaria, mas a história surpreendeu-me. Pensava que ia ler algo mais pelas vias do "mistério", tentar descobrir o que tinha acontecido à personagem principal, a irmã Lucrezia/Alessandra, mas acabou por ser mais uma biografia detalhada da sua vida, que de tão interessante que foi acabou, na minha opinião, por deixar um pouco para segundo plano a curiosidade de resolver a premissa que nos surge no início do livro, com a sua morte. Digo então que me surpreendeu pois normalmente em livros históricos gosto mais desse aspecto de mistério nas histórias, e não tanto de um romance "simples", e neste acabei por gostar mais assim.

Achei este livro um belo retrato da época, e como é uma altura na história da qual eu leio muito pouco, é sempre interessante aprender um pouco mais. Neste caso dá-se um destaque maior à importância da Arte numa cidade como Florença, o poder que os patronos dessa mesma arte podem ter na cidade, e o que a morte de apenas um homem pode fazer à vida de uma população inteira.

Algumas partes da história foram, para mim, previsíveis (assim que surge uma das personagens consegue-se prever imediatamente o seu propósito final, entre outros aspectos), mas nada que prejudicasse a leitura, já que ao mesmo tempo fui-me deparando com algumas surpresas.

Ao acabar o livro senti-me um pouco ignorante, pois fiquei sem a certeza absoluta de ter percebido a relação do título com a história, e mesmo depois de ter chegado a uma conclusão, fiquei na dúvida. Eu normalmente gosto sempre que ambas as coisas tenham uma ligação bem pensada, mas talvez esta tenha sido bem pensada demais para mim!

Vou certamente ler mais livros da autora, recomendo!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Opinião #47: "Belladonna" (Livro)

- BELLADONNA -

Capa:
Autora:
Anne Bishop

Informação:
Edição/reimpressão - 2009
Páginas - 384
Editor - Saída de Emergência
ISBN - 9789896370961
Idioma - Português

Sinopse:
Há muito tempo, Efémera foi dividida em inúmeras paisagens mágicas ligadas somente por pontes. Pontes que podem levar quem as atravessa para onde realmente pertence e não ao local onde pretende chegar.
Uma a uma, as paisagens de Efémera estão a cair na sombra. O Devorador do Mundo está a espalhar a sua influência, manchando as almas das pessoas com dúvida e medo, alimentando-se das suas emoções mais negras. A cada vitória o Devorador aproxima-se da conquista final.
Apenas Glorianna Belladonna possui a habilidade de frustrar os planos do Devorador. Mas os seus poderes foram mal interpretados e incompreendidos. Determinada a proteger as terras sob o seu domínio, Glorianna defrontará o Devorador sozinha se assim estiver no seu destino.

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Opinião:

Quando acabei de ler o "Sebastian", o livro anterior a este, achei que tinha acabado de uma forma suficientemente boa para não necessitar de uma continuação (embora raramente alguém se queixe de ter Anne Bishop para ler), por isso acabei por adiar de certa forma a leitura deste, devido à minha falta de curiosidade. Mas passados alguns capítulos já estava envolvida na história novamente!

Aquilo de que mais gostei neste livro foi o facto de podermos conhecer outras partes de Efémera, o mundo formado por paisagens ligadas entre si através de pontes. No primeiro livro apenas "vimos" a parte do mundo sob o controlo das paisagistas, sobretudo Belladonna e a sua mãe, mas neste segundo grande parte da história passa-se em locais onde os habitantes desconhecem a natureza inconstante do seu mundo, e onde as paisagistas são tratadas como bruxas e feiticeiras, por não serem compreendidas as suas habilidades. Foi interessante ver retratado num livro com uma componente de fantasia tão forte assuntos tão reais como o preconceito.

Algo que também notei neste livro em relação ao outro, é que tem uma componente de romance mais forte. Nota-se um criar de várias relações (e supomos a futura criação de outras), que aqui já acabam por deixar pontas soltas para continuação da história. O final do livro também deixou bastante por dizer, se o primeiro tivesse acabado assim tinha ido a correr comprar o seguinte! Estou bastante curiosa para ler o terceiro livro nesta série, que já foi anunciado e que, desta vez, aguardo ansiosamente.

Podem reparar que esta opinião está bastante mais curta do que o normal, e posso explicá-lo: em primeiro lugar, não sei como comentar mais o livro sem explicar longamente a história (e por isso prefiro que fique uma opinião curta do que monstruosa); em segundo, qualquer tempo que passem a ler a minha opinião, é tempo em que poderiam (e deveriam) estar a ler qualquer livro da Anne Bishop!

Para quem gosta de um bom livro de fantasia, original, com uma escrita brilhante e um worldbuilding que não lhe fica nada atrás, este é um de vários livros da autora que não pode faltar nas estantes.